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Carvão
Gil Vicente
Das técnicas diretas de desenho, aquelas que não
são necessariamente intermediadas por instrumentos, o carvão
é a que eu mais gosto, pela facilidade que oferece de se
conseguir desde a mais fina linha até a mais complexa mancha.
O carvão é seco, sem gordura, e permite operações
de adição e subtração de material, podendo-se
apagar quase tudo que foi feito e recomeçar. Isso deixa o
artista tranquilo para ir e vir, para corrigir ou modificar o desenho.
O carvão é aplicado diretamente sobre o papel, desmanchando-se
em pó, e pode ser espalhado com um pano, um pincel ou com
as mãos, devendo-se ter cuidado para não engordurar
o papel, o que provoca retenção diferente do material.
Em comparação com técnicas próximas,
o carvão é mais seco e mais magro que o pastel e dá
maior variedade e profundidade de escuros que o grafite, com a vantagem
de não brilhar. Um item problemático de todas essas
técnicas é a fixação. Os especialistas
dizem que qualquer spray fixador causará danos ao desenho
no futuro. No acervo dos museus, os desenhos que não foram
fixados estão em melhor estado de conservação.
Por outro lado, é um risco manusear ou transportar desenhos
não fixados. Se você precisa usar fixadores, consulte
um restaurador sobre as resinas atuais e seus danos.
Estou fazendo os desenhos grandes em carvão no excelente
papel italiano Fabriano, modelo Tiziano, 160g/m2, vendido em rolos
de 150x1000 cm. Uso o carvão inglês Rowney extra largo
ou o brasileiro Corfix. Também estou usando carvões
das madeiras cajacatinga e imburana, presenteados pelo amigo e escultor
Marcelo Silveira. As melhores borrachas são as knetgummi,
massas modeláveis com alto poder de subtração.
Para fixar, prefiro o acabamento fosco do spray alemão Luckas,
mais fraco, ou do holandês Talens 064, mais concentrado.
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