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Nanquim
Gil Vicente
O nanquim é uma tinta preta concentrada, muito fluida e
sem espessura. Diferente do guache, uma pasta cheia de carga que
permanece sobre o papel, o nanquim tende a se infiltrar na polpa
do suporte. Embora guarde semelhanças com a aquarela, a diferença
essencial do nanquim é ser irreversível depois de
seco, o que nos permite insistir numa mesma área sem danificá-la,
ou trabalhar a transparência de novas camadas sem alterar
os contornos da camada anterior. Mas o nanquim não permite
subtração de valores, não se podendo clarear
o que já está feito, e por isso é considerado
uma técnica de precisão.
Como qualidades plásticas desta tinta de origem oriental,
destaco o poder do seu pigmento, sua opacidade, a discreta cor sépia
que eleva a temperatura das suas aguadas e a aveludada profundidade
do preto quando conseguido por camadas.
Cada desenho que faço demanda geralmente entre dez e vinte
seções de trabalho. Aplico o nanquim diluído
sobre o papel umedecido com pulverizador manual (use água
destilada ou mineral). Meus pincéis são duros e quase
sempre não-artísticos. Trabalho no papel Arches, grão
rugoso, 300 g/m2, um papel 100% algodão fabricado na frança
desde 1492 para aquarela e técnicas úmidas. Este papel
é fortíssimo e aguenta diversas passagens do pincel
sem esfacelar a polpa. É mais encontrado em folhas de 76x56
cm mas existe em folhas maiores e em rolos. Prefiro o nanquim alemão
Staedtler ou o holandês Talens.
Como trabalho com o papel molhado, depois de pronto o desenho
fica um pouco ondulado, o que corrijo fazendo uma planificação
com peso. Para este procedimento, siga a orientação
de um restaurador.
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