A visita
1998
nanquim sobre papel
153 x 171 cm
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 



Gil Vicente e Siron Franco
Maracatu espontâneo
1996
Óleo sobre tela
130 x 92 cm


 
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Visitas Noturnas

É onírica,
é pesadelo de Goya
a desejada visita

Desde um abraço sonhado
desde meu calor epidérmico
deste teu forte rubor

Enfim!
vem o sono da razão
despertar-nos a carne

São dois o mesmo desejo,
é de ambos o mesmo sonho
ficando dentro de um quadro

A visita,
que se dorme sem querer,
querida,
detém-se na composição, estrutura
que então se perpetua e
fascina
pra não se concretizar.

Mas instalam-se na pele
minha excitada impressão digital
tua impressionada excitação genital
que se acabam
em águas mornas
quando nos acordamos
eu em minha cama
tu na tua

Nessa líquida fronteira
entre sono e vigília
percebemos, ainda quente,
pergunta perfumada no ar:
quem visitou quem?

[a partir de “A Visita”, nanquim sobre papel de Gil Vicente, 1998]

 

Laranja-cravo e Bergamota

Sob sol a pino
sonho meus atardeceres
em todos os seus
azuis
longuíssimos, lânguidos,
loiros pores-do-sol
de Porto Alegre
em Pernambuco

Nessa salada de laranja-cravo
com bergamota
perfumo minhas mãos,
molho minhas axilas

O que me acontece a mim
é um maracatu espontâneo:
ricamente enfeitada,
a calunga dança,
muy solita,
La cumparsita

[a partir de “Maracatu espontâneo”, óleo sobre tela de Gil Vicente e Siron Franco, 1996, e de “Tango del atardecer”, música de Lalo Schifrin]