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Visitas Noturnas
É onírica,
é pesadelo de Goya
a desejada visita
Desde um abraço sonhado
desde meu calor epidérmico
deste teu forte rubor
Enfim!
vem o sono da razão
despertar-nos a carne
São dois o mesmo desejo,
é de ambos o mesmo sonho
ficando dentro de um quadro
A visita,
que se dorme sem querer,
querida,
detém-se na composição, estrutura
que então se perpetua e
fascina
pra não se concretizar.
Mas instalam-se na pele
minha excitada impressão digital
tua impressionada excitação genital
que se acabam
em águas mornas
quando nos acordamos
eu em minha cama
tu na tua
Nessa líquida fronteira
entre sono e vigília
percebemos, ainda quente,
pergunta perfumada no ar:
quem visitou quem?
[a partir de A Visita, nanquim sobre
papel de Gil Vicente, 1998]
Laranja-cravo e Bergamota
Sob sol a pino
sonho meus atardeceres
em todos os seus
azuis
longuíssimos, lânguidos,
loiros pores-do-sol
de Porto Alegre
em Pernambuco
Nessa salada de laranja-cravo
com bergamota
perfumo minhas mãos,
molho minhas axilas
O que me acontece a mim
é um maracatu espontâneo:
ricamente enfeitada,
a calunga dança,
muy solita,
La cumparsita
[a partir de Maracatu espontâneo,
óleo sobre tela de Gil Vicente e Siron Franco, 1996, e de
Tango del atardecer, música de Lalo Schifrin]
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